• Testemunhos - Uma benção chamada Ângela
No dia 13 de março Ângela completou 06 anos de vida.. Esta menininha entrou na minha vida há 3,6 anos e sempre me emociono, não canso de admirá-la na sua beleza, determinação e força.
Sou casada há 10 anos e, sou como todas as mulheres que um dia sonham em ter filhos, enfim, cumprir com seu papel biológico como manda a natureza, também desejava muito ter alguns filhotes. Mas o filho não vinha, procurei um especialista e depois de alguns exames o médico me disse que o meu caso se resolveria com inseminação , ou seja, banco de esperma, pois meu marido é estéril. A notícia foi um balde de água fria, e passamos a ignorar o problema, mas, como dizia um professor de genética: “a mulher que não gera filhos tem a síndrome do ventre vazio”, e eu passei a senti-la,...e é horrível, digamos que há um vazio grande no lar, falta assunto, e uma cobrança velada e sentida da minha parte.
Para compensar, trabalhava muito, 9 hs no hospital e das 19 as 23 hs dando aula em uma Escola de Enfermagem.. Em 2000 abriu-se um campo de estágio num Lar especializado em crianças portadoras de doenças graves, deficiências e abandonadas. Como trabalhava de 2ª à 6ª feira, não sabia o que fazer c/ o sábado e domingo, e fui ser voluntária nesse lar que era nosso campo de estágio. Em novembro de 2000, num domingo, cheguei p/ meu 1º dia como voluntária e não como professora. Muitas crianças, algumas sem condições de andar, falar, retardo mental etc...mas sempre tentando se comunicar.
Fazendo uma vistoria pela casa, me deparei com uma menininha gorda, de cabelos cacheados, de pé e voltada p/ a parede, lentamente ela virou seu rosto muito séria e eu me deparei com um par de olhos verdes lindos, num rosto de anjo, foi como se eu levasse um golpe no peito. Fiquei sem palavras, apenas aquele rosto que não saía do meu pensamento. O que esta criança está fazendo aqui!!me perguntava....
“Chama-se Ângela, tem 1,6 anos e foi trazida pela secretaria do menor, que a encontrou em um hospital público c/ alto grau de desnutrição e em estado grave de uma varicela, ficou cheia de feridas,...a mãe não tem condições de cuidar dela....e de mais 5 irmãos”,- foi o que me disse uma funcionária do Lar.
Ela praticamente não falava nada, era muito arredia, ficava pelos cantos c/ um brinquedo nas mãos, eu imaginava se havia alguma seqüela neurológica, pois não interagia com as outras crianças. Passei a protegê-la, cuidar dela pessoalmente, só saindo do Lar após o jantar e deixá-la no berço. Ia embora até chorando e ficava ansiosa esperando o próximo final de semana p/ encontrá-la. E assim foram muitos finais de semanas, já havia expressado o meu desejo de adotá-la, mas ela tinha mãe.....
Um certo dia me disseram que a mãe havia entregue a guarda da filha definitivamente e que ela estava p/ adoção. Muitas crianças já haviam sido adotadas e era uma alegria vê-las indo p/ seus novos lares, com pai e mãe...Passei a sentir medo de um dia chegar lá e não encontrar Ângela. Foi desesperador, falei dela p/ Daniel meu marido e disse a ele que eu queria adotar a Ângela...e já esperava sua indecisão..
No outro dia fui ao Fórum, levando comigo as fotos que tinha junto c/ Ângela, dos nossos passeios e de como já brincávamos de mamãe e filhinha. Preparei todos os documentos exigidos e a Assist. Social já me avisou:”Olha, apesar do seu carinho pela Ângela, tem outras pessoas querendo adotá-la tbém!!...como doeram aquelas palavras... |
Meu primeiro contato c/ Ângela em 2001, paixão a 1a. vista! |
Fui p/ casa, orei, pedi a Deus, lembrei de Sarah e Ana e de todas as mulheres da Bíblia que batalharam por seus filhos,....expressei o meu desespero por não ter filhos e tbém o meu amor por Ângela. Voltei ao Fórum e falei c/ a psicóloga :Eu entendo que há outras famílias querendo a Ângela, mas eu te digo uma coisa,...Eu sou a mãe que a Ângela precisa, por favor diga isso ao Juiz”, e fui embora. . Era 19 de agosto de 2001.
No dia 6 de setembro às 17:00 hs ela me ligou dizendo:”venha buscar o documento da guarda provisória,...a Ângela é sua!!..a felicidade naquele momento foi imensa!!!
Era véspera de feriado, me lembro de estar na porta da loja às 21:00 comprando uma caminha “pronta entrega” e tudo que eu me lembrava p/ arrumar o cantinho dela.
No dia 7, fui buscá-la, a funcionária do lar me disse que ela já havia andado por todos os cômodos da casa como que se despedindo, fez uma birrinha p/ entrar no carro, daí uma garotinha de 8 anos, chegou, pegou-a no colo e levou até o carro e disse a ela c/ muita autoridade: “vai embora com a sua mãe!”, me despedi de todos e fui embora p/ casa, dirigindo c/ cuidado e olhando pelo retrovisor, o rostinho tão querido e esperado da minha filhinha. A nossa vida mudou bastante, não dou mais aula, tenho um bom trabalho, meu marido consegue jantar conosco mais vezes durante a semana, é um pai carinhoso e prestativo, a família toda ficou feliz......só a casa que ficou pequena!!!
Às vezes fico escutando ela cantar....e como canta e fala!!!...meu coração transborda de alegria, está na escola, faz natação, ginástica e gosta muito de chocolate!
É um presente de Deus para todos nós e eu agradeço a Ele todo o tempo!
Berenice F.Neves Estrada
Abril/2005 Voltar a página de testemunhos
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