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O Uso do Véu

por Paulo S. Santos

(I Cor. 11)
A questão do uso do véu na igreja já foi razão de muita discussão nas igrejas evangélicas através do tempo. Hoje, o debate já não tão acirrado deixa margem para a pergunta ainda persistente: Mas se a Bíblia diz que se deve usar o véu, porque não se usa? Infelizmente, essa questão ainda ecoa nas mentes dos crentes, às vezes já de muito tempo de carreira cristã. Fato é que a passagem merece ser esclarecida e contextualizada. Deve ser entendida, mas também compreendida. Deve trazer paz, não confusão. “Não é por não conhecerem as escrituras nem o poder de Deus que vocês estão errados?”, disse o Senhor em Marcos12:24. Afinal, o véu é ainda para nossos dias ou não?

A QUESTÃO DO VÉU
(contexto social, religioso e épico)

Toda a questão do uso do véu está diretamente ligada à participação da mulher no culto. Corinto estava localizada na Grécia. A antiga cidade de Corinto, como hoje é chamada. Estando assim situada, era normal que os costumes e cultura da cidade-império fosse englobada. Na igreja, porém, não deveria ser assim. No costume das cidades gregas e orientais, as mulheres cobriam a cabeça ao aparecem em público. Havia uma exceção: As mulheres devassas. Corinto, principalmente, era uma cidade infestada de prostitutas. A prostituição fazia parte da adoração pagã. Nos templos pagãos elas se encontravam aos montes (há comentarista afirmando que haviam mais de mil prostitutas lá). O fato relevante aqui é: o desuso do véu por parte dessas mulheres era notório.
Posto o devido pano de fundo, passemos à questão do véu naquela igreja em Corinto:
As mulheres cristãs, recém chegadas à liberdade cristã, afoitaram-se em pôr em de lado o uso do véu nas reuniões da igreja. Esse fato escandalizava as mais modestas, assim como muitos dos membros em conveniência com a decência social aplicada na época. Fato único e exclusivo quanto a aparência relacionada à das prostitutas da cidade.
O apóstolo diz-lhes que não façam isso; que não convém que crentes se embalem em afrontas quanto à opinião pública estabelecida. Claramente essas conveniências não feriam os princípios do evangelho. Fazendo-se então algo bom, de boa fama, etc... (cf. Fil. 4:8).
O uso do véu é encontrado outras vezes na Bíblia, seguindo cada uma delas o seu uso e época:
Em Gn 24:65 – Quando Rebeca avistou Isaque, cobriu o rosto (Uso e costumes).
Em Gn 38:14 – Quando Tamar disfarçou-se usando véu. Note que ele (Judá) a teve por meretriz por USAR véu. Naquela situação, cobrir-se é que aparentou-a uma prostituta.
Em Êx.26:31 – O véu separava o Santo lugar do Santo dos Santos.
Em II Cor.3:13 – Moisés usava o véu para conter o resplendor que dele se desvanecia (uso).
Em II Cor.3:14 – O mesmo véu permanece quando os Judeus lêem as escrituras porque não entendem a nova aliança. Note, o desuso do véu é caracterizado como sinal da Nova Aliança (não é cultural nem usual, aqui é figura teológica).

Ao analisarmos alguns usos do véu na Bíblia, podemos ver que uso de véu sempre esteve atrelado a ocasião, cultura ou especificamente a um fim. Nunca uma doutrina, seja no Velho ou no Novo testamento.
Homens e mulheres são de igual valor para com Deus. Há, porém certas distinções entre os dois, biblicamente. Diferença não significa primazia. Sem essas diferenças a sociedade não poderia existir. Cristãos, em geral, vivendo em sociedade pagã, devem ser cautelosos quanto às suas inovações. Normalmente o mundo dita a moda conforme seu padrão próprio. Assemelhar-se a esses padrões é, no mínimo, correr o risco de trazer descrédito à sua religião. Traz escândalo e desgosto àqueles que devem ser luz para o mundo, não mais um estopim queimado...
No caso de Corinto, o problema era as irmãs parecerem-se, visualmente, com prostitutas ou até mesmos com os próprios homens – por causa dos cabelos curtos. A associação do puro com o impuro é visivelmente errado. Assim como deve-se fugir de toda aparência de mal, deve-se também não tomar a forma deste mundo. O grande problema da igreja era um conformismo com as coisas do mundo, aceitando que estas fizessem parte da vida cristã, dos cultos e celebrações santas para um Deus santo. O apóstolo diz que não deve ser assim, e que a própria natureza assim o diz.

CONCLUSÃO
O problema gerado pela tão insistente pergunta “Devem ou não as irmãs usarem véu?” já é respondido: Se o costume do povo o tiver por um padrão de decência, sim deve. Caso não houver restrições culturais ou sociais, só se quiser. Desta forma o entendemos.
Vemos mais. A questão de conformar com o mundo anda – infelizmente – tão ligada aos próprios desejos que muito dificilmente uma maioria se proporia ao uso do véu por uma questão simples de evitar o mal falar. Assim como dificilmente deixariam de usar pela mesma razão. É triste ver nas igrejas de hoje os crentes cada vez mais e mais obstinados em fazer as suas próprias vontades. Em nome da liberdade cristã faz-se de tudo, sem aceitar qualquer forma de compromisso com os mais fracos, ou os escandalizados. Música, roupas, estilos, cortes de cabelo, decoração, literatura, e toda uma industria “pra Jesus” parece ainda tão conformada... Será que isso é mesmo liberdade cristã, ou muitos têm lançado mão do arado, e olhado para traz? (Lucas 9:61).
Contextualizando-se, o problema de Corinto ainda permanece.

BIBLIOGRAFIA

Halley, Henry H. Manual Bíblico. 4 ed. São Paulo: Vida Nova, 1994.

Boyer, Orlando. Pequena Enciclopédia bíblica. 26 ed. São Paulo: Ed. Vida, 1998.

Mears, Henrietta C. Estudo Panorâmico da Bíblia. 14 ed. São Paulo: Ed. Vida, 2002.

O autor é seminarista e membro da Igreja Batista Esperança, da qual é professor de EBD da classe de jovens.

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